Torche – Restarter (2015)

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Carregando consigo músicas densas e instrumentais definitivamente pesados em contraste com vocais limpos e intensos, esse novo do Torche ta aí para agradar desde o cara que não liga muito pra cena do metal, quanto os fãs mais devotos de stoner e sludge metal.

Restarter já começa explodindo nos seus ouvidos com a faixa “Annihilation Affair” com uma pegada que, na minha cabeça, lembra bastante Meshuggah com aquele tipo de riff principal bastante groovado e guitarras em afinação mais grave, esse groove que te acompanha por todo o álbum pode ser colocado como um diferencial da banda.  A música também conta com aqueles vocais limpos do guitarrista Steve Brooks que me remete muito ao vocal limpo do Troy Sanders (Mastodon).  O Torche criou um jogo com o mesmo nome dessa faixa com temática sci-fi pós-apocalíptico e usou como recurso de promover o álbum.

Tem momentos no LP que são ridículos de tão empolgantes, o refrão de “No Servants” e o riff principal da Minionsse encaixam bem nessa definição. As músicas nesse álbum são, em sua maioria, bem curtas e não passam da marca dos 4 minutos (a não ser pela música homônima ao álbum que tem 8 minutos) tornando Restarter algo bem fácil de ser ouvido.

As guitarras em Restarter foram mixadas para ficar com aquele resultado bem sujo e distorcido, tem muito pedal de fuzz no som dos caras. E pode se dizer que isso casou bem com as afinações insanas que a banda usa.

Se tratando de um lançamento recente, e de uma banda que não teve tanta notoriedade quanto Mastodon e Kylesa (mas que não deixa a desejar em qualidade), pode se dizer que o álbum é uma das melhores coisas nessa direção que 2015 nos trouxe até agora. A banda teve definitivamente um bom trabalho em compor algo tão dinâmico e enérgico que realmente dá gosto de ouvir.

Nota final: 8,5/10

Palinha:

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Mastodon – Once More ‘Round the Sun (2014)

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Com afinações dropadas, estruturas de musicas não tão ortodoxas e conteúdo lírico riquíssimo, Mastodon se destaca como uma das bandas mais promissoras dessa nova geração do metal americano. Agora chamados para se apresentar em um dos maiores eventos de musica do planeta, o Rock in Rio, o grupo ganhou notoriedade após lançar incríveis álbuns conceituais e tocar em grandes festivais como o Mayhem Festival (2005) e o Download (2007). Em seus últimos álbuns, a banda acabou por mudando sua direção do que era um progressive sludge metal pesado e sombrio para um rock moderno com influências de bandas de prog rock dos anos 70, o que nos traz a seu ultimo álbum Once More ‘Round the Sun lançado em 24 de Julho de 2014 pela Reprise Records.

O álbum tem início com o violão marcante de Thread Lightly, música que exibe os vocais limpos e graves do baixista Troy Sanders e os estridentes e melódicos do baterista Brann Dailor, que tem sido um dos pontos fortes da banda ao longo de seus últimos três álbuns por sua versatilidade e alcanço. Os inícios dos álbuns da Mastodon no geral são sempre muito marcantes e as vezes já vão te mostrando como que o disco vai se desenrolando, porém não creio que seja o caso deste.

Once More ‘Round the Sun mostra que a banda continua apostando em incorporar riffs característicos de bandas do tipo Yes, Rush e até Frank Zappa em suas composições desde o complexo Crack the skye (2009). Evidenciando isso temos as músicas Chimes at Midnight, Ember City e Aunt Lisa. Essa última começando com mais um dos brilhantes e particulares solos de Brent Hinds, guitarrista que também canta nos álbuns da Mastodon ao lado de Brann e Troy anteriormente citados.
Os singles High Road e Chimes at Midnight ainda retratam um pouco do sludge presente principalmente nos primeiros três álbuns da banda que definitivamente a consagraram, cravando seu nome na história do metal moderno.

Por mais incrível que possa parecer, a banda apresenta algumas musicas com uma pegada mais hard rock como na música homônima e na Helloween, ambas também com os vocais liderados por Brent Hinds. E é possível até notar esse fenômeno na música que conta com a participação especial de Scotty Kelly (Neurosis), a Diamond in the Witch House.
Apesar de ter possuir bons momentos, o álbum deixa a desejar em progressões não muito cativantes, algumas partes não muito bem feitas e chega até a desanimar um pouco passar pelas músicas Asleep in the Deep e Feast Your Eyes. Isso sem contar que as outras músicas, que são até bem feitas, possuem um ar de simplicidade muito maior quando se relaciona esse álbum com o material lançado na década passada. Mas isso não diminui o valor do disco que continua a ser uma experiência no mínimo decente.

Por mais que possa doer para a fã base mais hardcore da banda, essa nova Mastodon, com sua pegada cada vez menos sludge, fez mais um bom trabalho nesse novo LP e simplesmente deixou de lado a imagem de banda que não consegue mudar suas receitas sonoras sem perder qualidade das músicas. Não que os últimos álbuns não tenham sido ótimos álbuns ou algo do tipo, mas não existe muita coisa que pode se comparar ao Leviathan (2004), esse que é um absurdo de genialidade progressiva e conceitualidade em diversos aspectos. Once More ‘Round the Sun não se mostra fraco e sim mais experimental do que seus antecessores de tal forma que da gosto sentir essa vibe das músicas novas, te deixando bastante ansioso para ouvir os próximos lançamentos.


Nota final: 7/10.

Palinha: