Deafheaven – Sunbather (2013)

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Sabe quando um álbum que você normalmente não depositaria muita confiança se torna um dos seus favoritos? Acabou acontecendo comigo esse último mês quando encontrei o Sunbather em algum tópico de fórum de música sobre álbuns marcantes dessa década, o que realmente o define sem nenhum exagero. A banda californiana Deafheaven usou e abusou de shoegaze mais uma vez nesse LP, obviamente sem deixar de lado o black metal que também acompanha a banda desde seu primórdio.

É claro que já existiam bandas que usavam essa mistura (carinhosamente chamada por alguns de Blackgaze) antes como Alcest e Lantlôs, mas parece que dessa vez os caras levaram isso tudo a outro nível com essas músicas relativamente compridas e densas, as vezes com partes mais calmas e melodias relaxantes.
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O começo do álbum me lembra muito Lantlôs pelo timbre das guitarras e até mesmo na estrutura da música, a faixa “Dream House” é um convite que prende o ouvinte, deixando-o curioso para ver o que mais o LP pode apresentar.

Realmente gostei da maioria das faixas, mas a que mais me chamou atenção foi a faixa-título “Sunbather” que começa com uma avalanche de guitarras super distorcidas bem lo-fi típicas de black metal desenhando uma atmosfera simplesmente sensacional. Falando nisso, não espere por vocais que diferem do gutural padrão do metal extremo nesse álbum (não que isso seja necessariamente um ponto ruim do mesmo).

De certo é perceptível a vontade que os caras da Deafheaven têm de fazer algo bem feito, a música “Please Remember” com aquele violão e guitarras limpas é de longe uma das coisas mais profundas e emocionais que eu já ouvi e eu nunca podia esperar que isso viesse de uma banda de metal extremo. Mas aí é que tá, esse é mais um álbum que prova que black metal funciona muito bem quando fundido com outros elementos que vão alem desse gênero tão expressivo indo contra seu estereótipo, exemplos perfeitos disso são os álbuns: Bergtatt do Ulver e o Circle the Wagons do Darkthrone.

Vejo Sunbather como mais um presente que essa nova geração de bandas do tão controverso post metal vem trazendo para nós ouvintes. Não diria que foi algo muito fácil de ouvir e entender, mas não levou tempo para me fazer um fã dos caras e ficar de olho em seus próximos lançamentos.

Nota final: 9/10

Palinha:

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Tribulation – Children of the Night (2015)

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Dispondo de uma atmosfera bem gothic metal com influências de black metal (e até prog metal), a banda sueca Tribulation lança seu terceiro álbum entitulado Children of the Night na segunda semana de Abril deste ano.

Children of the Night se mostra um álbum poderoso e robusto, mas que também sabe ser melódico quando for coerente.  Os guitarristas Adam Zaars e Jonathan Hultén fazem muito bem seu trabalho em deixar todas as faixas com aquele aspecto de música bem feita. Suas guitarras marcantes e os vocais gritados do baixista Johannes Andersson são acompanhados de órgão e violoncelo durante pontuais partes do álbum dando aquela temática gótica bem característica citada anteriormente.

“Strange Gateways Beckon” abre esse novo LP com áridos versos  sobrepondo bases de guitarra limpa, assim dando passagem para a música “Melancholia” que já mostra a banda com uma pegada mais uptempo e pesada. Algo que se repete em outras faixas ao decorrer do álbum como “The Motherhood Of God” e até na instrumental “Själaflykt”.

Combinando a densidade característica do metal extremo e todos aqueles riffs e solos dobrados em intervalos de terças do metal clássico, Tribulation coloca mais um álbum único para enriquecer ainda mais a discografia da banda. Com menos de 1 hora, Children of the Night só deixa a desejar no seguinte quesito: a banda acaba por repetir algumas vezes suas mesmas fórmulas e estruturas durante as músicas do álbum (mas não é nada que faça com que você descarte ouvi-lo).Infelizmente, não existe maneira de cativar a todos os fãs de metal extremo ou de heavy metal clássico, mas a banda chega perto disso, fazendo de  Children Of The Night  uma grata surpresa.

Nota final: 8,5/10

Palinha: