Brand New – Mene (2015) [single]

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Os nova-iorquinos do Brand New se mostram de volta com o single Mene, que pode muito bem aparecer em um futuro álbum da banda.

O Brand New não lança um álbum desde 2009 com o emblemático Daisy, LP que mostrou novamente o quão versátil a banda pode ser na hora de sentar em compor uma música. Este é um álbum cheio de contrastes entre as faixas com pegadas agitadas, e outras que lembram mais o grandioso lançamento anterior da banda, The Devil And God Are Raging Inside Me (2006), não deixando para trás os elementos de rock alternativo e emo revival.

Neste novo single não há nenhuma estrutura muito bem elaborada, só a básica e simples verso-refrão-verso-refrão que define bem os quase 2 minutos e meio desse curto lançamento. Existe alguma pegada pop punk embutida nos dois gêneros citados anteriormente, mas é algo meio sutil para ser colocado como se a banda estivesse seguindo outra direção ou coisa do tipo.

Dessa vez o frontman Jesse Lacey faz proveito de seus usuais vocais gritados mixados em cima de vocais mais limpos com backing vocals de Vincent Accardi, dinâmica também já vista anteriormente em outros álbuns da banda.

Apesar de ser uma faixa simples e chiclete até demais, Mene chega a deixar o ouvinte com aquele gosto de “quero mais disso aí”. É sabido que já fazem SEIS anos do ultimo álbum dos caras, o que ultrapassa o padrão de 2-3 anos para se lançar um full-length e deve estar deixando sua fã base no mínimo ansiosa. Tomara que, com esse novo single, se desencadeie o lançamento de mais material novo, e material de qualidade que é característico da banda.

Nota final: 7/10

Confira abaixo o videoclipe do single:

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Blur – The Magic Whip (2015)

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Faz 12 anos desde o lançamento do último álbum de estúdio do Blur, Tink Thank. E considerando que estamos falando do Blur, uma banda de extrema popularidade no cenário britpop responsável por ajudar em uma grande renovação de gênero, 12 anos é bastante tempo pra deixar qualquer fã com o hype em alta. Ainda mais levando em conta que a formação se encontra completa novamente, com a volta do guitarrista Graham Coxon, muita gente deve esperar bastante desde álbum de retorno.

Mas The Magic Whip parece não se importar com esses 12 anos de abstinência, ou em cumprir expectativas. Ele simplesmente existe e não tem vergonha de assumir uma identidade própria. Veja bem, é um álbum simpático que não quer tentar ser melhor que 13, Blur, Parklife ou qualquer outro álbum na discografia da banda. Se você pudesse ter uma conversa com esse disco e lhe perguntasse “Uau, mas 12 anos é bastante tempo ein?” ele provavelmente responderia “É? Nossa, nem vi passar” e logo em seguida soltaria uma gostosa gargalhada cuja fonética complementaria bem o clima frio e colorido na praça japonesa na qual vocês estão sentados em banquinhos tomando um sorvete.

Pra quem não conhece Blur muito bem, é uma banda inglesa formada em Londres encabeçada por Damon Albarn, um cara com criatividade em excesso e muitos projetos paralelos que influenciaram, de uma maneira ou de outra, na separação temporária do Blur.

Albarn é um dos grandes nomes da música britânica, ligado não só ao Blur como também ao Gorillaz e outros projetos de menor notoriedade. É palpável a influência do Blur que vaza na sonoridade do primeiro álbum do Gorillaz (auto-intitulado), assim como The Magic Whip também tem resquícios do projeto e lembra em certos momentos a atmosfera de um dia de inverno regado a chá que o último álbum solo do músico (Lonely Press Play, lançado ano passado) possui. A banda consegue no entanto preservar sua identidade, mesmo com todas essas facetas ainda existe aquela camada eletrônica na produção do instrumental que acrescenta (e muito) em algumas faixas, como Ice Cream Man e I Thought I Was a Spaceman. Ainda em termos instrumentais, existem guitarras que bebem do shoegaze em riffs muito bem construídos que casam com o arranjo ocidental do álbum de uma maneira estranhamente orgânica. Você sabe que está ouvindo um pedacinho da Inglaterra e do Japão nas músicas, e o casamento dessas sonoridades não é nada menos que primoroso.

Pra quem sente falta do Blur que satirizava estereótipos com sua maneira única de retratar a sociedade, a faixa There Are Too Many Of Us está aí pra você, ainda que de uma maneira mais melancólica.

A música que inicia o álbum, Lonesome Street sintetiza a sonoridade da banda neste álbum e prepara bem o ouvido do ouvinte. Em seguida vem New World Towers, faixa que soa como a intro da melhor música do Gorillaz que nunca existiu repetida em loop.

O primeiro single lançado, Go Out, soa ainda melhor no contexto do álbum e é difícil não balançar a cabeça ao riff e refrão extremamente dançantes.

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As poucas faixas que podem não te agradar muito na primeira ouvida acabam por crescer nas ouvidas seguintes, e por final, The Magic Whip se torna uma experiência auditiva extremamente agradável.

É um álbum bem atmosférico, e que diferente de muito álbum por aí, você não precisa entrar na atmosfera dele ou estar com um mindset específico pra curtir a “vibe“, não, The Magic Whip amigavelmente projeta sua atmosfera ao redor do ouvinte, sendo uma experiência bem digerível.

O LP é bem influenciado pela cultura japonesa também, tanto em certos arranjos instrumentais quanto em conteúdo lírico, como nas músicas Ghost Ship e Pyongyang. Essa influência oriental também é marcante na apresentação visual, seja no clipe de Go out e Lonesome Street ou na capa do LP, um sorvete em neón com letrinhas japonesas ao redor, e se deve ao fato do álbum ter sido todo gravado em Hong Kong.

Fãs de longa data certamente vão se deparar com um bom álbum da banda, e também não posso deixar de recomendar o álbum o suficiente para aqueles que não são familiarizados com nada do grupo, ou até pro típico amigão do “ah, é aquela banda do wuuu huuu e do clipe da caixinha de leite?

The Magic Whip parece um passeio numa pracinha japonesa em um dia frio, onde você foi comprar um sorvete misto só que a máquina emperrou e só tinha de creme, mas tudo bem, de repente você percebe que gosta bastante de sorvete de creme.

NOTA FINAL: 9/10

Palinha:

Scalene – Legado [Single] (2015)

scalene legado
No dia 20 de abril, foi lançado o primeiro single do novo álbum Éter da banda do planalto central, Scalene. Legado.
Após o disco “Real/Surreal” lançado no ano passado, mostrando muita personalidade e um som mais maduro, com a nova formação sem a vocalista (Alexia), o baterista (Makako), assumiu o papel dos backing vocals com extremo êxito, encaixando muito bem com a voz do vocalista principal, guitarrista e front man da banda, Gustavo Bertoni.
O que vemos nesse single, é uma música que não foge completamente do álbum anterior no contexto instrumental e do arranjo, mas nos mostra uma cara ainda mais madura, saindo da cena de rock alternativo que podemos ver em “Sonhador II”, com mais riffs de guitarra e levadas de batera bem característica do estilo.
“Legado” chama atenção apenas por sua letra e levada densa e forte, que depois de um tempo passa a ficar repetitiva mesmo com a música sendo bem curta. Encontramos, na maior parte do tempo, apenas guitarras e um baixo com um timbre extremamente distorcido (não muito chamativos) dando uma nota que aparenta ser um Ab (lá bemol) e a batera quase toda baseada nos tambores, bumbo e pratos. A música não surpreende em nenhum momento. Ela te engana, querendo que você ache que virá um clímax, um ponto forte, mas ele não aparece.
O que chama mais atenção na faixa, realmente, é sua letra a e forma como é cantada na belissima voz do Gustavo Bertoni, contando também com vocais excelentes gravados pelo o mesmo. O eu-lírico da música, é um imperador que depois de um longo reinado, com grandes conquistas, só se preocupa com uma coisa: Deixar um legado. A mensagem é claramente expressa nos versos do refrão “Tanto quero, tanto busco / Mas quando acabar, o que deixo aqui?”.
Além dos contras e mesmo com o single sendo fraco, simples demais, acho que não acaba completamente com a expectativa dos fãs por um álbum melhor do que o anterior. A banda possui muito talento e potencial para mais do que vemos nessa faixa, então, só nos resta esperar pelo disco.

Nota final: 5/10

Ouça o single: