Godspeed You! Black Emperor – Asunder, Sweet and Other Distress (2015)

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É consensual que todo apaixonado por post rock conheça pelo menos alguma coisa sobre Godspeed You! Black Emperor. Mas, pra quem não conhece o GY!BE é um dos grupos instrumentais mais renomados do gênero e se tornou uma febre entre por álbuns consagrados como F#A#∞ (1997) e Lift Your Skinny Fists Like Anthennas to Heaven (2000). A banda canadense, composta atualmente por nove integrantes, é um projeto instrumental muito dinâmico e tem como característica fundamental músicas geralmente longas e com temáticas dentro da sociopolítica.

Sendo o segundo álbum desde a volta da banda em 2010/2011, é seguro dizer que Asunder, Sweet and Other Distress guarda consigo um material ímpar em relação a seus discos anteriores. Esses riffs bem stoner/doom metal da primeira faixa “Peasantry or ‘Light! Inside of Light!”, por exemplo, é algo exclusivo desse álbum. Essa faixa é uma combinação perfeita de peso, com esses riffs bem arrastados ao melhor estilo Electric Wizard e toda aquela base mágica de violino da musicista Sophie Trudeau.

Quem ouve o LP percebe também que dessa vez o GY!BE apostou em um jeito diferente para estruturar e organizar as músicas do álbum. Bom, se ficou um ponto de interrogação bem grande na sua testa agora não se preocupa que eu vou explicar. É como se o disco fosse focado na primeira e na última música, sabendo que são quatro faixas no total, as outras duas (que são justificadamente mais curtas) servem como se fosse um respiro pro ouvinte dizendo “Calma que até o final do álbum vai ter mais coisa boa”. E definitivamente, no final do disco realmente tem coisa boa. A última faixa, intitulada “Piss Crowns Are Trebled”, é uma música densa (porém, não tanto quanto a primeira) e bem dinâmica. Ela tem aquele jeitão bem drone, com partes repetidas mesmo, mas é como se do nada todo aquele lance abstrato e dissonante do começo se moldasse em algo grandioso e empolgante que te segue até o final do LP.

Tudo é muito conceitual em Godspeed You! Black Emperor. É comum encontrar, junto com seus discos em mídia física (CD, vinil, cassete etc.) e capas bem feitas, pedaços de papel explicando todo o tema abordado no álbum em questão, mas, parece que dessa vez a banda não quis explanar o que foi pensado por trás desse novo lançamento.
uxo

Sendo sincero como sempre, fico muito feliz que os caras estejam em atividade novamente, mas não recomendaria Asunder, Sweet and Other Distress para alguém que deseja conhecer a banda. Não posso dizer que esse material novo seja algo ruim, muito menos medíocre, mas ainda sim uma experiência limitada em relação aos outros lançamentos grandiosos da banda. Não falando do GY!BE, mas post rock em si tem bandas com um aspecto meio limitado e dificuldades em inovar. Um exemplo gritante disso é o álbum Another Language (2014) da banda This Will Destroy You, que são 47 minutos de faixas com estruturas iguais ou bem similares e aquelas mesmas fórmulas de acordes menores e afinação padrão. Acho que já é hora de certas bandas colocarem a mão na consciência e deixarem cair a ficha de que as pessoas não querem mais ouvir só mais um “álbum qualquer de post rock”. Já existem muitos “álbuns qualquer” por aí.

Nota final: 7/10

Palinha:

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