Father John Misty – I Love You, Honeybear (2015)

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Misty, a primeira vista, pode parecer o seu típico cantor/escritor de músicas Folk, um cara barbudo com todo aquele arranjo típico do gênero em sua sonoridade, expondo as profunidades de sua alma para quem quer tenha a paciência de ouvir o que ele tem a dizer. Ele também tem um twist de pegar um tema bonito como o amor e fazer uma música sobre ele da maneira mais cínica, pervertida e as vezes até repulsiva possível, liricamente falando.
Se você não ouvir atentamente as letras do álbum e deixar I Love You, Honeybear tocando de fundo enquanto lava a louça, é bem possível confundir com a música típica e sensível que muitas vezes é o produto que cantores Folk talentosos têm a oferecer. Só que aqui toda essa temática é nos servida de uma maneira…doentia? Não sei se chega a ser a palavra certa, nesse álbum existe uma linha tênue entre o genial e o repulsivo. A música The ideal husband (o marido ideal), por exemplo, conta com um belo instrumental pontualmente meio voltado prum garage rock, embalado numa atmosfera bem amigável que esconde uma sátira sobre exatamente o que é não ser o marido ideal. É assim que a maioria das músicas do álbum funciona, com bastante cinismo escondido sobre um rico e belo instrumental folk deveras sensível e uma produção igualmente simpática.

Eu já falei que Misty é ex-integrante do Fleet Foxes? Pois bem, tá falado então. Não apenas é ex-percusionista de uma das maiores bandas de folk recentes, como também tem bastante trabalhos no seu currículo: é recomendável a qualquer fã desse folk meio americana mergulhar em trabalhos prévios de J. Tillman, alcunha pela qual Misty atendia anteriormente (seu nome verdadeiro é Josh Tillman). Já como Father John Misty, Tillman apenas havia lançado mais um álbum, Fear Fun, que não é tão bom quando este atual, mas definitivamente tem lá os seus méritos.

Instrumentalmente falando, este LP é magnífico, tem bastante pianos, violinos, arranjos instrumentais realmente bonitos e o destaque fica pros incríveis crescendos instrumentais. Não bastasse isso, I Love You, Honeybear também conta com diversos estilos salpicados entre as diversas músicas dando um ar ainda mais rico para a instrumentação. Você pode esperar ouvir influências pop, garage rock, Soul e até eletrônica no álbum, o que é muito bom, mas faz umas faixas se destacarem mais do que outras pelos motivos errados, como por exemplo True Affection. Embora a maioria dessas alternâncias possam soar orgânicas, algumas acabam por não descer direito. A mixagem é um deleite, que te deixa apreciar bastante o instrumental ao mesmo tempo em que as letras insanas e as histórias que Tillman conta fluem com clareza para o seu ouvido. Sobre a temática lírica abordada no álbum temos solidão, morte, sexo, amor e política, mas tudo com aquela cara bem maluca e subversiva que Tillman consegue dar.

I Love You, Honeybear é tipo comer carne vermelha na casa de uma família cristã conservadora numa sexta feira santa, mas você cobre tudo com glacê pra todo mundo achar que não passa de um bolo. Tudo bem que o gosto deve ficar uma merda, mas não é esse o paralelo que tento traçar, e sim de que o álbum é bem subversivo e vale muito a pena dar uma conferida.

NOTA FINAL: 8.5/10

Palinha:

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