Tyler, The Creator – Cherry Bomb (2015)

Featured image Tyler, The Creator sempre foi uma figura controversa no meio musical, sendo que ele e o seu coletivo de rap OddFutureWolfGangKillThemAll (OFWGKTA) são um produto puro das mídias digitais, desde seus primórdios se promovendo através de plataformas sociais tais como Tumblr, Twitter e Facebook, postando qualquer coisa que viesse na mente sem qualquer tipo de restrição. O artista livre, um dos produtos mais puros da geração Do It Yourself, pulsando com energia e promessas para o futuro, todos aqueles que tiveram sua atenção cativada pelo coletivo aguardaram ansiosamente para conferir, afinal, o que viria a seguir.

Featured image

Anos se passaram desde o primeiro Mixtape de Tyler, Bastard, e desde o álbum que o lançou ao mainstream, Goblin, com o icônico single Yonkers. Dois anos desde o segundo álbum oficial do rapper, Wolf, que trazia um Tyler mais comprometido com a sua produção e notoriamente evoluindo como artista. Onde essa evolução levou? Abril de 2015, Tyler simplesmente anuncia um novo álbum de inéditas para acompanhar o lançamento de sua própria plataforma digital, a Golfmedia, com lançamento do álbum previsto para 5 dias após o anúncio. E eis que Cherry Bomb está entre nós. Após ouvir o álbum diversas vezes chego a conclusão do quão interessante a discografia do rapper é até aqui. Peguem a primeira mixtape, Bastard, e notem que dali até o primeiro disco oficial, Goblin, o conteúdo lírico se calca num shock value grosseiro, apesar de pontualmente divertido, alternando entre as mais sinceras melancólicas emoções de um adolescente não correspondido até estupros e assassinatos em série. O que pode soar ofensivo para algumas pessoas, embora a violência em músicas do odd future chegue a funcionar quase que como num filme de Tarantino: é tão exagerada e escrachada que não da pra levar a sério, você sabe que aquilo é ficcção. Quanto a produção até ali, beats mais secos e agressivos marcavam a carreira do rapper.

O lance por trás de toda a violência nas letras não só de Tyler como também de todo o grupo chegou a ser tanta a ponto de certos críticos taxarem o coletivo como “Horrorcore”, rótulo o qual Tyler sempre combateu e negou ser associado. A questão é, se o conteúdo lírico exalava uma imaturidade grosseira, por que uma fanbase tão fiel se formou em redor do grupo encabeçado por Tyler? Simples: por mais chocante que soe, também existe uma sinceridade emocional deveras tangível ali. Por trás de toda a grosseria é bem possível enxergar garotos que queriam fazer música e se divertir, mais do que isso, queriam que você se divertisse com eles. Toda a rebeldia adolescente fica muito bem transposta de uma maneira curiosamente divertida embaixo da temática das letras, e no disco Wolf, Tyler finalmente se rendeu ao seu lado mais sensível, compondo belas canções e arranjos instrumentais que contavam com pianos, ukuleles e letras tão sinceras quanto anteriormente, porém muito mais focadas e menos imaturas. No aspecto lírico me incomoda dizer que este novo álbum retorne um pouco a raiz da imaturidade do clássico Odd Future, onde aqui e ali temo boas linhas do rapper que te fazem soltar um sorriso de canto de boca, isso quando não são apagadas pela produção que embora tecnicamente impecável, apague muito das letras em algumas músicas, como Buffalo e Cherry Bomb, tornando quase indistinguível o que Tyler está dizendo. Talvez isto seja proposital, talvez seja apenas Tyler afastando o rapper dos holofotes e empurrando o produtor que existe nele na direção do grande facho de luz, de uma maneira ou de outra, a mixagem não deixa de ser agoniante.

Vejam bem, Cherry Bomb é um álbum curioso, explosivo e que caminha por faixas que bebem (algumas talvez não propositalmente) de influências como NERD (Deathcamp, Fucking Young) até um Kanye West meio Yeezus, ou quem sabe Death Grips (Cherry Bomb) passando por músicas com uma produção jazz neo-soul extremamente classuda de derreter os ouvidos (Find Your Wings, Smuckers, Okaca CA) chegando até em faixas menos experimentais e mais “curtíveis” com features de um Kanye West da era Late Registration juntamente de Lil Wayne rimando sobre arranjos de jazz (Smuckers) até um Schoolboy Q delirante como de costume (The Brown Stains). Sim, Cherry Bomb merece sua atenção, apesar de todas as suas falhas, não deixa de ser um álbum sincero onde o carinho na produção de Tyler é bem palpável e a mensagem que o álbum carrega, embora não possua uma narrativa conceitual como a dos álbuns antecessores, é bonita o suficiente pra te fazer sorrir, se você se importar de absorvê-la.

Find your wings.

NOTA FINAL: 6.5/10

Palinha:

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s